Abuso Sexual Infantil – como protegemos daquilo que não sabemos?

29 May 2019

 

A maioria das pessoas que abusam sexualmente de crianças são, frequentemente, pilares da sociedade e muito bons com as crianças. São tão respeitáveis que todos duvidam serem capazes de cometer tamanha violência. 

 

O conceito de “homem do saco” ou “não fale com estranhos” é um mito e, que se encontra muito fora da nossa realidade. Agressores não são estranhos, muito frequentemente são membros da família ou muito conhecidos, cuja confiança ludibriam e traem. Normalmente não utilizam de agressão. Em vez disso, usam uma variedade de estratégias cruéis e truques desagradáveis, de desequilíbrio de poder entre adulto e criança. 

 

Para os pais e educadores, um aviso:

  • Se vocês perceberem a criança ou o adolescente com baixo desempenho escolar repentino;

  • De repente se torna agressivo com os outros ou consigo mesmo (automutilação);

  • Tem comportamentos sexuais precoce, masturbação compulsiva ou exagerada;

  • Compulsão por higiene pessoal ou; mudanças bruscas de humor, descubra o motivo!

Não a julgue como uma criança “difícil”. Observe, ouça e ofereça ajuda. Consulte um profissional especializado. 

 

Se uma criança ou adolescente revelar a você, algo que soe como um comportamento inadequado vindo de outra pessoa mais velha ou adulta, busque ajuda urgente. Não ignore isso. 

 

A ação rápida e efetiva pode salvar uma vida do trauma sexual e também outras tantas vítimas do mesmo agressor. 

 

O conhecimento acerca do abuso sexual infantil e a sua dinâmica de manifestação, seja por parte da criança que apresenta sintomas ou por parte do agressor que apresenta comportamento típico é o tópico mais importante para a prevenção dessa forma de violência.

 

Isso porque, a sociedade precisa estar atenta aos sinais e saber que o abuso sexual infantil pode ser devastador para a vítima. Além disso, todo ambiente frequentado por crianças, como escolas, clubes e organizações, deve ser foco de interesse pelos pais, estes poderão solicitar informações garantindo que as crianças estarão seguras no ambiente.

 

As escolas e outras organizações devem seguir práticas de recrutamento de profissionais mais seguras e garantir que todos os que trabalham com crianças tenham treinamento regular sobre proteção da infância e adolescência para que eles conheçam os sinais de abuso sexual.

 

Por outro lado, a internet também pode oferecer sérios riscos para a proteção das crianças. Sabemos que s crianças podem ser vulneráveis ​​a abusos sexuais e conteúdo impróprio no mundo on-line. Existem ferramentas que podemos usar para mantê-los seguros, como ativação de filtros de pesquisa e controles parentais do conteúdo dos sites.

 

A infância e adolescência é um período de desenvolvimento vulnerável e merece atenção e monitoramento dos pais e responsáveis, entretanto, nem sempre podemos estar junto delas. Portanto, é nosso dever ensiná-las sobre a autoproteção, ou seja, sobre o cuidado com o seu corpo. Para promover a autoproteção em crianças, alguns pontos devem ser destacados:

 

•  Falar sobre os perigos de maneira clara e simples, além de transmitir regras segurança básica como não ficar sozinho em casa, sair sem permissão, não brincar com fogo, etc. A educação sobre o abuso sexual em crianças deve ser iniciado desde muito cedo. Ela internaliza os cuidados que deve ter assim como os cuidados do dia a dia.

 

•  Falar sobre os tipos de toques “bons e maus”. É importante que ela saiba distinguir o que é um toque bom, onde a criança se sinta protegida e acolhida. Os toques ‘maus’ estão relacionados com aqueles que fazem a criança se sentir desconfortável, que ela não deseja receber naquele momento. Além disso, os toques ‘maus’ também dizem respeito aos toques nas partes íntimas, como genitais e seios das crianças.

 

•  Os pais deverão reforçar que não haverá problema, nem punição em comunicar algo de errado a respeito de todo o conhecimento sobre o abuso sexual que, porventura elas vierem a passar. Junto disso, reforçar que se algo acontecer, a culpa NUNCA será da dela.

 

•  O segredo sempre está envolvido em uma relação abusiva. Dessa forma, ao orientar as crianças sobre o abuso sexual, reforce também, que é errado esconder um segredo que envolve o corpo e seus limites. A criança geralmente esconde pequenos segredos, como comer doces escondidos ou quando quebra algum objeto, mas os segredos do corpo não devem ser escondidos, que não haverá problemas em comunicá-lo aos pais ou professor, por exemplo.

 

•  Pedir ajuda quando se sentir desconfortável e com medo. A criança deve ser protegida por todos, portanto, quando ela se sentir insegura e estranha em alguma situação, pode correr, gritar, contar para um adulto de confiança.

 

•  Não forçar a criança a abraçar e beijar quando ela não quiser. Você estará ensinando sobre o direito que ela tem sobre o seu corpo. Portanto, não a force abraçar ou beijar quem quer que seja.

 

Todas as formas de prevenção aqui mencionadas devem ser passadas de forma tranquila, em momentos de descontração, sem assustá-las. O conhecimento pode ser passado em casa, durante o banho, troca de roupa e na escola, durante atividades em sala de aula, por exemplo.

 

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