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Abuso sexual de meninos


No contexto de notícias chocantes sobre violência sexual contra meninos cometidos por técnicos de futebol, de ginástica, de skate, além de casos envolvendo padres e pastores, um debate sobre casos de abuso sexual subnotificados na sociedade, ressoa diariamente nas mídias sociais e jornais de todo país. Aqui, vamos discorrer sobre as dificuldades em denunciar o abuso sexual de crianças do sexo masculino, não somente no Brasil, mas em toda a extensão do nosso planeta.

O tabu

Devido ao estigma e ao tabu relacionados ao abuso sexual masculino, por conta das regras ditadas pela sociedade para os homens (assim como para as mulheres), não é apenas difícil relatar esses casos, mas também é doloroso para os homens falar abertamente sobre eles.

Ao longo dos anos, entendemos e internalizamos que o abuso sexual acontece com as mulheres apenas porque elas são percebidas como objetos de sexo, desejo, fraqueza, emoções, dor e vulnerabilidade. As pessoas ainda precisam aceitar e reconhecer plenamente que o abuso sexual pode acontecer também com meninos.

Desde tenra idade, as regras de gênero relativas à masculinidade esperam que os homens sejam independentes, fortes, sempre no controle, resilientes, agressivos, sem emoção. Assim, ver um homem como vítima não é a norma e, portanto, a sociedade rotula as vítimas do sexo masculino como "não masculinas", questionando sua masculinidade.

Em muitos casos, quando o agressor é uma pessoa conhecida ou um membro da família, os garotos vítimas acabam internalizando a culpa, pensando que havia algo de errado com eles e, que os levou a serem abusados, causando, além da culpa, a vergonha. Além disso, eles também temem que possam ser vistos como futuros predadores ou que as pessoas possam questionar sua orientação sexual, se divulgarem suas histórias por causa dos mitos.

Há muitos casos em que os meninos também são abusados e assediados sexualmente ​​por mulheres. Mas, novamente, por causa das normas, a sociedade duvida dessa possibilidade e, geralmente, ignoram imediatamente quando um homem fala sobre isso. Estas são algumas das razões que restringem os garotos a denunciar ou mesmo falar sobre o assunto. Mas a questão é, como isso afeta os meninos vítimas de abuso sexual?

A vulnerabilidade do Homem

A sociedade não permite que os homens sejam emocionalmente vulneráveis; ainda se compara emoção com fraqueza e falta de inteligência, quando na realidade, todos nós somos temos emoções e como ela é importante para a nossa sobrevivência.

É saudável expressarmos nossas emoções e a ensinar nossos filhos a desenvolver essa prática. Além disso, poucos são os locais que oferecem apoio e ajuda para estes casos, assim, os homens vítimas de abuso sexual mantêm sua dor, fingem serem fortes e continuam dizendo a si mesmos que não estão sofrendo. Obrigando-se a viver em negação, quando internamente não sabem o que fazer com sua dor, sentimentos e traumas emocionais. Eles se tornam alienados, deprimidos, desenvolvem baixa autoestima, ansiedade e vícios quando adultos e isso afeta negativamente seus relacionamentos, estudos, interesses e sua perspectiva geral sobre a vida. Eles acabam com problemas de confiança, habilidades de tomada de decisão ruins e compreensão confusa de amor e cuidado.

Como melhorar o cenário

A nível de prevenção primária da violência sexual infantil, é importante que as famílias tenham consciência e encorajem seus filhos a se expressarem e a pedir ajuda quando necessário. Evitarem usar frases como “por que você está chorando, você é uma menina?”; “meninos não choram”; “engole esse choro”.

Meninos, ou melhor, todas as crianças precisam aprender desde cedo a, sentir e falar sobre suas emoções, mesmo aquelas mais difíceis. Com isso, cria-se um espaço seguro, seja na família ou na escola, onde elas se sintam confortáveis o suficiente para compartilhar, caso algo ruim acontecer.

É crucial para as pessoas entenderem que a dor e a tristeza são parte de uma experiência de vida normal tanto quanto a felicidade e a alegria, e que é preciso coragem para ser vulnerável e, qualquer coisa que pareça afetar a funcionalidade de uma pessoa diariamente precisa ser tratada.

A cura só pode começar quando essas vítimas receberem o espaço seguro, aceitar, expressar e compartilhar sua experiência traumática em palavras, criando suas próprias narrativas construtivas fora da dor. Isso pode ser um processo doloroso, pois a cura envolve dor, uma vez que o trauma que tem sido feito ao longo dos anos precisa ser descoberto.

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