Por todos lugares que passei tive problemas com meus chefes/superiores. Principalmente com os homens. Esquecer de realizar pequenas tarefas, cometer erros infantis em relatórios e análises, não conseguir entender as ordens. Estes foram cenários corriqueiros.(...)  procurei ajuda psicológica, o que foi determinante para eu conseguir aguentar a pressão e finalizar o serviço. (...) refleti muito sobre esta dificuldade de relacionamento no trabalho, e pensei que a origem fosse o meu relacionamento quando criança com meu pai, que sempre foi muito rigoroso, as vezes estúpido. Então, pensei eu à época que voltar para casa seria uma ótima oportunidade para eu tirar isso a limpo, encarar meu pai de frente, no convívio diário, e superar qualquer trauma possível com relação a isso.

Então, (...) convivendo com meu pai, (...) pude compreendê-lo, além de melhorar a nossa relação pai e filho, apesar das diferenças. Ainda assim, eu ainda não sentia que aquelas dificuldades de relacionamento com cumprimento de ordens, com figuras masculinas, havia sido superada, ou bem explicada. Então, (...) decidi recomeçar o tratamento com uma nova psicóloga, e totalmente focado em desvendar esse problema. (...) Nisso, veio a imagem a minha mente do abuso. Eu tinha entre 4 e 5 anos de idade, e estava na casa de um vizinho, em um quarto escuro. (...) vi o como o trauma afetou minha vida. E, ao contrário do que sempre pensei, as dificuldades que tive de me relacionar com funcionários, chefes e demais situações que envolviam cobrança de figuras masculinas, foi devido ao bloqueio que fiz deste abuso na minha mente, e não ao relacionamento com meu pai. Um medo que se tornou intrínseco a minha personalidade depois do abuso que sofri. Foi como se esta parte da minha vida ganhasse um novo significado.

Também fui entendendo que a única forma de curar essa ferida, este trauma, seria compartilhando com minha família, amigos, e a posteriori com mais pessoas. Com quantos mais eu compartilhasse, mais rápido a superação deste trauma viria.

E o mais importante, talvez, foi compreender que, ao compartilhar este trauma, eu não me sentiria nem passaria a imagem de alguém fraco, débil. Ao contrário, eu me tornaria e seria visto como alguém forte, forte o suficiente para encarar de frente uma ferida. Uma ferida esta que, por mais dolorosa que seja, faz parte da minha história, é parte de mim, e de certa forma moldou minha vida.

Em nenhum momento pensei em culpabilizar o agressor, pois este também era criança. O importante sim, seria seguir em frente, e usar isso como combustível para melhorar, superar mais obstáculos, crescer, compartilhar e ajudar pessoas que sofreram abusos semelhantes a superar o seu trauma também.

Afinal, quantos estão calados, e isto prejudicando suas vidas? (...) voltei para casa e compartilhei a história com minha psicóloga, minha namorada, alguns amigos próximos. Por fim, falei com meu irmão, e com meu pai. Ambos ficaram bem chocados, meu pai revoltado. Percebi aquele homem rígido e intransponível, lacrimejar. O mais difícil foi expor pra ele, e talvez o mais importante também (minha mãe faleceu faz uns anos), visto que seria a primeira pessoa que, quando criança, eu gostaria de ter compartilhado.

Isso aliviou bastante minha dor. A partir dessa primeira etapa, de compartilhar o meu sofrimento com pessoas próximas, encarando o medo de ser julgado, pude perceber que fiquei mais consciente de como o trauma afeta minha vida. Toda a vez que tenho que passar uma ordem para algum funcionário, ou até negociar com um cliente, sinto minha garganta apertar, meu estomago ficar coçando, uma falta de ar. Minha voz sai arranhada. Sinto o medo física e psicologicamente. A diferença é que agora eu sei de fato sua origem, e pela primeira vez na minha vida, tive certeza que esse é o caminho para eu aprender a conviver e superar esta memória.

Apesar de ser uma memória que dói, ela foi parte da minha vida, é parte de "quem sou eu", e sempre vai estar lá. O que posso fazer é compartilhar esta história, para que não se repita. Que sensibilize potenciais agressores a não fazê-lo. As potenciais vítimas a se defenderem. Aos que sofrerem, a ter coragem.

— C. J. E. 

“Fui abusada sexualmente por um homem, casado com a minha prima. Eu tinha apenas 05 anos, lembro muito pouco, mas o suficiente para me deixar com dor no estômago. Lembro de não ter ninguém em casa e ele me levar para o quarto que era dos meus pais, estava escuro, acho que a janela estava fechada, lembro da minha roupa também, era um conjunto de saia e blusa feito de crochê... Ele me colocou na cama e deitou sobre mim. Na medida em que fui crescendo, por anos acreditei que naquele dia eu havia perdido a minha virgindade.. isso me impedia de me relacionar com garotos, evitando de me relacionar sexualmente com alguém, por que aquele 'segredo' poderia ser descoberto. Quando casei, não me sentia merecedora daquele amor, fugia do carinho, do sexo... foi quando percebi que precisava de ajuda, busquei uma psicóloga que me ajudou a elaborar tudo isso... Hoje, meu relacionamento mudou bastante. Amo e me sinto amada novamente."

— S. L.

“Aprendi que a vida é feita de escolhas, por isso, hoje, eu escolho ser feliz!

Ser mulher e abusada pelo próprio pai dos 07 (idade que me lembro) aos 12 anos de idade é peso difícil de carregar por toda a sua vida. Sempre ouvi que eu era a culpada do que acontecia, que era o meu destino passar por aquilo, que Deus queria. Reconheço todas as marcas e consequências que o abuso sexual me deixou, a baixa autoestima, a minha relação com a comida, a dificuldade de me entregar para o amor, etc...etc... Mas estou no caminho certo, pois a partir do momento que reconheci tudo isso em mim e que tudo tem ligação com o meu passado, parece que passou a fazer todo o sentido. Vivo o meu presente, não mais o passado.”

— G. O. 

“Sempre me achei um homem esquisito. Onde eu fosse, pensava que as pessoas estavam falando de mim, parecia que todos sabiam que tinha sido abusado pelo meu tio aos 11 anos. Foi uma única vez, por que a partir daquele dia me isolei do mundo, não queria mais sair de casa, ver amigos, nem parentes. Tudo me assustava, cheguei a ponto de pensar em tirar minha própria vida. Tenho 22 anos e tudo o que fiz até hoje foi com tristeza. Por muito tempo, achei que eu era o culpado de tudo e me sentia preso por correntes. Hoje me sinto livre e com vontade de viver novamente. A terapia me ajudou a enxergar além do que tinha me ocorrido, que das dores que senti, surgiram forças."

— R. G. 

ASSINE NOSSA NEWSLETTER:

PATROCINADORES:
SIGA:
  • Instituto Desenhando Sorrisos
  • Instituto Desenhando Sorrisos

©2015 Produzido por IDS Design.